Estatísticas da Economia Gig 2026
TL;DR
Estatísticas da economia gig no Brasil mostram 1,96 milhão de trabalhadores em 2025, segundo o IBGE. Eles ganham 16,20 reais por hora, 12% menos que quem não usa aplicativo. Este post reúne 14 estatísticas com fonte confirmada sobre a economia gig no Brasil. O Speakwise grava esses atendimentos e escreve um resumo com os itens de ação.
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Estatísticas da Economia Gig 2026
A economia gig no Brasil chegou a 1,96 milhão de pessoas em 2025, ou 1,9% de todos os ocupados no país, segundo o IBGE. Quem trabalha por aplicativo ganha em média 16,20 reais por hora, 12% a menos que os 18,40 reais de quem não usa apps, mesmo trabalhando mais: 44,7 horas por semana contra 39,3 horas. Apenas 34% desses trabalhadores têm cobertura previdenciária, contra 63% do restante da força de trabalho. Este post reúne 14 estatísticas com fonte confirmada para entender o tamanho real da economia gig no Brasil.
O trabalho por aplicativo deixou de ser um fenômeno recente para virar uma categoria estatística própria no Brasil. O IBGE passou a medir esse grupo separadamente dentro da PNAD Contínua, o que permite comparar, pela primeira vez com dados oficiais robustos, a renda, a jornada e a proteção social de quem trabalha por plataforma com o restante dos ocupados.
Este artigo reúne o tamanho do fenômeno, o perfil de quem trabalha por aplicativo e como sua renda e proteção social se comparam ao resto do mercado de trabalho brasileiro. As 14 estatísticas a seguir vêm do IBGE e da Organização Internacional do Trabalho.
Estatísticas Chave da Economia Gig no Brasil (2026)
- A economia gig no Brasil somava 1,96 milhão de pessoas em 2025, ou 1,9% de todos os ocupados no país (IBGE, via Agência Brasil).
- O transporte de passageiros é a atividade mais comum, com 1,2 milhão de pessoas, 58,9% do total (IBGE).
- Trabalhadores de aplicativo ganham 16,20 reais por hora, 12% menos que os 18,40 reais de quem não trabalha por plataforma (IBGE).
- Eles trabalham mais horas por semana, 44,7 contra 39,3 entre quem não usa aplicativos (IBGE).
- A taxa de informalidade chega a 72,1% entre trabalhadores de aplicativo, contra 42,7% no restante da força de trabalho (IBGE).
- Apenas 34% têm cobertura previdenciária, contra 63% de quem não trabalha por aplicativo (IBGE).
- Em junho de 2026, a Organização Internacional do Trabalho adotou sua primeira convenção internacional voltada especificamente para o trabalho por plataforma (OIT).
1. 1,96 milhão de brasileiros trabalham por aplicativos
Segundo o IBGE, 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, o equivalente a 1,9% de todos os ocupados do país. Desse total, 1,8 milhão tinha essa atividade como ocupação principal, não apenas um bico ocasional. O número consolida o trabalho por plataforma como uma categoria relevante e mensurável do mercado de trabalho brasileiro, grande o suficiente para justificar um recorte próprio nas pesquisas oficiais do IBGE. Para efeito de comparação, esse contingente é maior que a população de várias capitais estaduais brasileiras, o que dá uma ideia concreta da escala do fenômeno hoje.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
2. Transporte de passageiros domina a economia gig
O transporte de passageiros é de longe a atividade mais comum entre trabalhadores de aplicativo, respondendo por 1,2 milhão de pessoas, ou 58,9% do total. Desse grupo, 1,1 milhão dirige para aplicativos do tipo Uber ou 99, enquanto 232 mil usam aplicativos de táxi. A entrega de produtos vem em seguida, com 376 mil pessoas, 19,2% do total, e os serviços gerais ou profissionais somam 313 mil pessoas, 16%. Essa concentração em transporte e entrega mostra que a economia gig brasileira ainda gira majoritariamente em torno de atividades que exigem um veículo e deslocamento físico, diferente de plataformas de trabalho puramente digital como redação ou design.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
3. Renda quase igual, mas jornada bem mais longa
A renda média mensal de quem trabalha por aplicativo é de 3.147 reais, praticamente idêntica aos 3.148 reais de quem não trabalha por plataforma. À primeira vista, isso pareceria mostrar paridade, mas a jornada conta uma história diferente: trabalhadores de aplicativo somam 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas entre os demais ocupados. Ou seja, quem trabalha por aplicativo precisa de mais horas de trabalho para chegar a uma renda mensal parecida. Essa diferença de mais de 5 horas semanais equivale a quase um dia inteiro extra de trabalho todo mês, sem nenhum ganho de renda adicional em troca.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
4. O ganho por hora é 12% menor na economia gig
Quando a renda é dividida pelas horas efetivamente trabalhadas, a diferença fica ainda mais clara: trabalhadores de aplicativo ganham 16,20 reais por hora, 12% menos que os 18,40 reais por hora de quem não trabalha por plataforma. Esse indicador de ganho horário remove o efeito da jornada mais longa e isola a diferença real de remuneração entre os dois grupos. Um hiato de 12% no ganho por hora, somado a uma jornada mais longa, ajuda a explicar por que a renda mensal dos dois grupos acaba parecida apesar da diferença real na remuneração do trabalho.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
5. Informalidade de 72,1% entre trabalhadores de aplicativo
A taxa de informalidade entre quem trabalha por aplicativo chega a 72,1%, bem acima dos 42,7% registrados entre quem não usa plataformas digitais para trabalhar. Isso significa que quase três em cada quatro trabalhadores de aplicativo não têm carteira assinada nem contribuem formalmente como autônomos registrados. A informalidade elevada é consistente com a natureza do vínculo entre trabalhador e plataforma, que no Brasil ainda é tratado majoritariamente como prestação de serviço avulsa, não como emprego formal, mesmo quando a atividade é a principal fonte de renda da pessoa.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
6. Só 34% dos trabalhadores de aplicativo têm previdência
Apenas 34% dos trabalhadores de aplicativo contribuem para a previdência social, contra 63% de quem não trabalha por plataforma. Essa diferença de quase 30 pontos percentuais expõe uma das maiores fragilidades da economia gig: a maioria de seus trabalhadores está sem proteção para aposentadoria, auxílio-doença ou outros benefícios previdenciários. Como a maior parte também é informal, a baixa cobertura previdenciária não é uma surpresa, mas o tamanho do grupo, quase 2 milhões de pessoas, transforma essa lacuna de proteção social em uma questão de política pública relevante, não apenas um detalhe estatístico.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
7. 86,8% dos trabalhadores de aplicativo são autônomos
A grande maioria dos trabalhadores de aplicativo, 86,8%, se classifica como trabalhador por conta própria, ou seja, autônomo sem vínculo empregatício com a plataforma. Esse número reforça o modelo de negócio das grandes plataformas de transporte e entrega no Brasil, que operam com prestadores de serviço independentes em vez de funcionários contratados. A classificação como autônomo tem implicações diretas nos números de informalidade e cobertura previdenciária vistos acima, já que cabe ao próprio trabalhador decidir se contribui ou não para a previdência, sem o desconto automático que existe no trabalho formal com carteira assinada.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
8. Homens são 84,4% dos trabalhadores de aplicativo
O perfil demográfico da economia gig brasileira é fortemente masculino: 84,4% dos trabalhadores de aplicativo são homens. A faixa etária mais comum é de 25 a 39 anos, que representa 47% do total. Esse perfil, jovem e majoritariamente masculino, é consistente com a concentração em transporte de passageiros e entrega, atividades que no Brasil já eram tradicionalmente mais exercidas por homens antes mesmo da chegada das plataformas digitais. A entrada maciça de homens jovens nesse mercado também ajuda a explicar por que a informalidade e a falta de previdência preocupam menos os próprios trabalhadores no curto prazo, mesmo representando um risco real no longo prazo.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
9. Crescimento de 9,1% em um único ano
O número de trabalhadores de aplicativo cresceu 9,1% entre 2024 e 2025, e 36,8% em três anos, saindo de cerca de 1,3 milhão em 2022 para 1,96 milhão em 2025. Esse ritmo de crescimento supera de longe a expansão do emprego formal no mesmo período, confirmando que a economia gig continua sendo uma das portas de entrada mais dinâmicas para quem busca renda no Brasil. A entrega por aplicativo, especificamente, cresceu 18,6% apenas no último ano, um ritmo ainda mais acelerado que o do transporte de passageiros.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
10. Entrega cresce mais rápido que o transporte de passageiros
Enquanto a economia gig como um todo cresceu 9,1% no último ano, a entrega de produtos por aplicativo cresceu 18,6% no mesmo período, o dobro do ritmo geral. Isso sugere uma mudança na composição interna da economia gig brasileira: a entrega está ganhando espaço mais rápido que o transporte de passageiros, possivelmente puxada pelo crescimento do comércio eletrônico e dos aplicativos de entrega de comida. Se esse ritmo se mantiver, a composição da economia gig brasileira pode mudar de forma visível nos próximos anos, com entregadores representando uma fatia cada vez maior do total.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
11. Serviços gerais são 16% da economia gig
Além de transporte e entrega, 313 mil pessoas, 16% do total, trabalham por aplicativo prestando serviços gerais ou profissionais, uma categoria que inclui atividades como aulas particulares, pequenos reparos, serviços domésticos e consultoria pontual contratada por plataformas digitais. Esse grupo é menor que o de motoristas e entregadores, mas representa uma parte importante da economia gig que não depende de dirigir ou pedalar. São, em geral, prestadores de serviço independentes que atendem clientes diretamente, muitas vezes sem qualquer apoio administrativo ou equipe por trás.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
12. Taxistas por aplicativo são uma fatia pequena do transporte
Dentro do grupo de 1,2 milhão de motoristas de aplicativo, 1,1 milhão dirige para plataformas do tipo Uber ou 99, enquanto apenas 232 mil usam aplicativos voltados para táxi. Essa proporção de quase 5 para 1 mostra como as plataformas de carona paga superaram amplamente o modelo tradicional de táxi digitalizado no Brasil. A diferença ilustra também como a entrada de novos motoristas, sem a exigência de uma licença de táxi tradicional, facilitou o crescimento mais rápido do segmento de aplicativos de carona nos últimos anos.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
13. Renda parecida esconde uma jornada desigual
Comparando os números lado a lado, a renda mensal quase idêntica entre trabalhadores de aplicativo e demais ocupados, 3.147 reais contra 3.148 reais, esconde uma realidade de trabalho bem mais desigual quando se olha hora a hora: 16,20 reais contra 18,40 reais por hora, com uma jornada 5,4 horas mais longa por semana. Esse tipo de comparação mostra por que olhar apenas para a renda mensal pode dar uma impressão enganosa sobre a real qualidade do trabalho por aplicativo no Brasil, escondendo o esforço extra necessário para alcançar um resultado financeiro parecido.
Fonte: IBGE, PNAD Contínua, via Agência Brasil
14. Uma primeira norma internacional para o trabalho por plataforma
Em junho de 2026, a Conferência Internacional do Trabalho adotou a Convenção sobre Trabalho Decente na Economia de Plataformas, a primeira norma internacional do trabalho dedicada especificamente a esse setor. A Organização Internacional do Trabalho descreve a adoção como um marco na adaptação do direito do trabalho internacional à digitalização da economia. Para o Brasil, que já debate havia anos como classificar juridicamente motoristas e entregadores de aplicativo, a existência de uma referência internacional pode influenciar os próximos passos da regulação nacional, incluindo a discussão sobre previdência e proteção social para essa categoria.
Fonte: Organização Internacional do Trabalho
O Que Esses Números Revelam Sobre o Trabalho por Aplicativo no Brasil
Os 14 números acima mostram uma economia gig brasileira grande, jovem e em crescimento acelerado, mas construída sobre uma base frágil de proteção social. Como mostra nosso levantamento sobre a produtividade do trabalhador do conhecimento, jornadas mais longas nem sempre significam mais resultado, um padrão que também aparece entre motoristas e entregadores. Quase 2 milhões de pessoas dependem de plataformas digitais para trabalhar, a maioria delas sem carteira assinada e sem contribuição previdenciária regular.
A renda mensal parecida com a do resto da força de trabalho esconde uma jornada mais longa e um ganho por hora menor, o que sugere que a economia gig compensa a diferença de remuneração com mais horas de trabalho, não com produtividade maior. Esse padrão é especialmente visível entre motoristas e entregadores, que juntos somam mais de três em cada quatro trabalhadores de aplicativo no país.
A adoção da Convenção 193 da OIT em 2026 sinaliza que essa discussão está longe de terminar. Nos próximos anos, é provável que o Brasil precise decidir como equilibrar a flexibilidade que atrai tantos trabalhadores para as plataformas com uma proteção social mais próxima da oferecida ao trabalho formal.
A economia gig brasileira cresce mais rápido do que as redes de proteção social construídas para o trabalho formal.
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Boa parte da economia gig no Brasil, incluindo os 313 mil trabalhadores de serviços gerais e profissionais, atende clientes diretamente, sem equipe ou apoio administrativo por trás. Cada aula particular, reparo ou consultoria pontual gera informações que precisam ser anotadas e lembradas depois, geralmente no meio de um dia já corrido entre um atendimento e outro.
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Perguntas Frequentes
O que é a economia gig?
A economia gig é o conjunto de atividades remuneradas organizadas em torno de tarefas pontuais, geralmente conectadas por um aplicativo, em vez de um emprego formal com carteira assinada. No Brasil, isso inclui principalmente motoristas de aplicativo, entregadores e prestadores de serviços gerais contratados por plataformas digitais. A característica comum é a ausência de vínculo empregatício tradicional e uma remuneração ligada diretamente às tarefas realizadas.
Quantas pessoas trabalham na economia gig no Brasil?
Segundo o IBGE, 1,96 milhão de pessoas trabalhavam por meio de aplicativos no Brasil em 2025, o equivalente a 1,9% de todos os ocupados do país. Desse total, 1,8 milhão tinha essa atividade como ocupação principal. O número vem crescendo rápido, com uma alta de 9,1% apenas no último ano e de 36,8% desde 2022, o que faz da economia gig um dos segmentos que mais ganham trabalhadores no mercado brasileiro atualmente.
Quem trabalha por aplicativo ganha bem no Brasil?
A renda mensal é parecida com a de quem não trabalha por aplicativo, mas isso só acontece porque a jornada é bem mais longa: 44,7 horas semanais contra 39,3 horas. Olhando o ganho por hora, a diferença aparece com clareza: 16,20 reais contra 18,40 reais, uma diferença de 12%. Somando a isso uma taxa de informalidade de 72,1% e uma cobertura previdenciária de apenas 34%, o quadro geral é de renda equivalente, mas com mais esforço e menos proteção.
A economia gig é regulamentada no Brasil?
O Brasil ainda discute como classificar juridicamente motoristas e entregadores de aplicativo, sem uma legislação específica e consolidada até 2026. No plano internacional, a Organização Internacional do Trabalho adotou em junho de 2026 sua primeira convenção dedicada ao trabalho por plataforma, o que pode influenciar o debate regulatório brasileiro nos próximos anos, especialmente nas discussões sobre previdência social e proteção trabalhista para essa categoria.
